Cap 1 - Lobo , O Seu Despertar
Cap. 1
• Lobo, O Seu Despertar
Chove fortemente, e o vento faz com que as folhas das árvores que estão próximas, balancem fazendo um som semelhante a uma triste e angustiante melodia.
Estou em lugar diferente no qual eu estava acostumado a ficar, tudo ao meu redor é novo e assustador. Porém, o medo é espontâneo, pois a minha natureza em si, já me faz ser forte.
Sinto um frio constante pelo meu corpo, fazendo percorrer pela, a minha pele... Mostrando-me o quão insignificante e fraco que eu sou.
Compreendo que está escuro, e mesmo assim permaneço em silêncio para não atrair qualquer perigo, pois não tenho condições de me defender.
Sei que na imensidão da noite habita todo tipo de fera e monstros imaginários a espreita aguardando apenas um momento para atacar e dilacerar a sua presa.
Aconchego-me cada vez mais junto aminha tortura interna, onde posso encontrar uma triste esperança, em ter uma nova chance de ver um novo dia.
E uma mera fagulha de luz invade minha gruta. Bem eu acho que seja uma gruta, mas pouco importa nesse momento desde que me traga um pouco de segurança, isso já é o suficiente.
Mesmo chovendo forte a Lua mostra a sua força, vencendo as nuvens carregadas para mostrar o seu triste brilho e deixar-me aqui a lição a qual temos, que lutar independente das dificuldades impostas a nós.
Não importa o que irei fazer agora, desde que eu permaneça perseverante e acredite em minhas próprias forças ,pois eu alcançarei a minha própria vitória .
Mas tenho que procurar algo para me alimentar, para poder me trazer uma satisfação e saciar essa fome que começa a dilacerar-me por dentro. Porém ,a realidade está sendo mais dura do que eu esperava, martelando constantemente em minha alma e ferindo o meu ser, eu tenho apenas que se alimentar do vazio e do pequeno sonho que sobrou.
Sinto falta do carinho de minha mãe, e das bagunças que meus irmãos faziam, das brincadeiras de pega-pega ou até mesmo de lutas, para vermos quem era o melhor e mais forte, mas sempre que as coisas começavam a sair do controle minha mãe intervinha para poder acalmar os nossos ânimos.
Sinto falta do aconchego materno, ou até mesmo da severidade de meu pai. Brincávamos e corríamos, pois éramos livres, descobrindo e se aventurando, mas sempre amparados, pois dependíamos totalmente do bando. Nossa inocência resplandecia de acordo com os nossos atos, éramos totalmente irresponsáveis, pois a vida era divertida e se algo viesse acontecer, corríamos rapidamente para a mãe, pois ali encontrava-se a verdadeira proteção.
E agora sozinho e desamparado mal posso correr apenas o frio que me conforta.
Porque eu estou passando por isso ? Por que eu, falhei como filho ? Tudo não passa de uma consequência do meu erro, ou algo destinado para me fortalecer?
Vejo que estou ferido e sinto uma dor aguda em minha cabeça, fazendo que as minhas vistas fiquem destorcidas, me impossibilitando compreender a qualquer tipo de imagem a minha frente. Uma de minhas patas está gravemente ferida. Há algo envolta do ferimento que não consigo compreender o que é . O que será que aconteceu realmente e como eu cheguei até aqui.
Procuro cheiros ou aromas para me certificar se estou realmente em segurança. Temos pela minha vida , temo por estar só ... Quero ajuda , mas quem vai me ajudar?
Já que as minhas vistas me impende de ver, minhas patas impossibilitam-me de caminhar, me resta apenas então confiar em minha audição e meu olfato.
Mas onde estou ?
O que está se realmente está passando comigo?
Cadê a minha alcateia? Cadê os meus parceiros? Meus irmão, minha mãe e meu pai ? Cadê eles ....
Estou só tenho que me mover, ficar parado de nada vai amenizar o meu estado.
Ao longe ouço o piar de uma coruja, procuro com meus olhos embaçados algo que me mostre referencia ao local onde estou.
A fome que sinto nesse momento, junto com o medo que habita em meu peito, devoram a qualquer tipo de esperança que eu possa a vir a ter.
Me desespero..
Vejo vultos de pequenas criaturas muito próximo a mim, noto que há uma poça de água formada em frente a minha gruta. Penso se estivesse em minha melhor forma seriam, presas fáceis para poderem saciar a minha fome. E saciar a minha sede.
Mas no estado que estou, mal consigo me levantar, tenho que repousar, pois assim recuperarei as minhas forças.
Mas o meu corpo está muito ferido, e a fome me domina e me vejo em uma situação na qual me rendo as dores. Há se eu tivesse um pouco de força me alimentaria, daqueles pequenos roedores.
Agora não adianta lamentar tenho que apenas esperar que essa noite fria e chuvosa passe rapidamente e quem sabe amanhã serei agraciado a mais um dia de vida.
E assim o jovem lobo dorme, com as incertezas de que irá sobreviver. Se entregando ao barulho intenso que a chuva faz, sem ao menos ver o brilho da lua nitidamente que poderia lhe trazer um pouco de paz.